Curitiba: Francischini erra ao falar sobre a sua taxa de rejeição em pesquisas

O candidato à prefeitura de Curitiba Fernando Francischini (PSL) ocupa a segunda posição na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Ibope em 22 de outubro de 2020, empatado com Goura Nataraj (PDT). Em sua campanha, ele concedeu entrevistas para o jornal Plural e Bem Paraná. A Lupa analisou algumas de suas falas. A checagem faz parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil verificam discursos dos quatro candidatos melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto em 2020.

Rafael Greca (DEM), primeiro em intenções de voto na mesma pesquisa, também teve falas analisadas, e o resultado dessa verificação será publicado no dia 13 de novembro. Goura Nataraj (PDT), que está empatado em segundo lugar com Fernando Francischini, também teve falas checadas e publicadas em 11 de novembro. Christiane Yared (PL), terceira colocada na disputa, teve suas falas checadas e publicadas em 3 de novembro.

Confira o grau de veracidade do que disse Fernando Francischini:

“Não foi R$ 24 mil em uma parcela só, que vai dar a impressão que eu estava comprando alguma coisa. Foi um trabalho de R$ 3 mil por mês em um ano de trabalho com um grupo dessa empresa [Novo Brasil Empreendimento Ltda], que fazia um trabalho pra mim de edição, compartilhamento, trabalho nas minhas redes sociais”
Fernando Francischini (PSL), candidato a prefeito de Curitiba, em entrevista ao jornal Plural em 6 de outubro de 2020

Entre dezembro de 2017 e abril de 2018, o deputado estadual Fernando Francischini emitiu seis notas fiscais de R$ 4 mil de sua cota parlamentar para a empresa Novo Brasil Empreendimentos Digitais Ltda, para a prestação de serviços de divulgação da atividade parlamentar.

Os sócios da empresa, Ernani Fernandes Barbosa Neto e Thais Raposo do Amaral Pinto Chaves, foram apontados como alvos no inquérito 4.828 (Distrito Federal), que investiga a origem de recursos e a estrutura de financiamento de grupos envolvidos em atos antidemocráticos desse ano, como o grupo “300 do Brasil”. Em decisão do dia 27 de maio deste ano, o relator, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, defere a expedição de 26 mandados de busca e apreensão contra 21 pessoas. Entre os endereços, estão duas sedes de empresas do casal, a Novo Brasil Empreendimentos Digitais Ltda e a Raposo Fernandes Marketing Digital Ltda.

Além disso, no dia 22 de outubro de 2018, o Facebook anunciou que removeu 68 páginas e 43 contas associadas ao grupo Raposo Fernandes Associados (RFA), também comandado pelo casal, por violação das políticas de autenticidade e de spam da rede social. Entre as páginas removidas estavam Folha Política e Movimento Contra a Corrupção. Em nota, o Facebook afirma que a decisão foi baseada “pelo comportamento delas [das páginas e contas] – como o fato de que estavam usando contas falsas e repetidamente publicando spam –, e não pelo conteúdo que estavam postando”. O comunicado também explica que as páginas estavam sendo usadas para a divulgação de conteúdo sensacionalista político com o objetivo de direcionar tráfego para seus sites fora do Facebook.

Em reportagem publicada em 12 de outubro de 2018, o Estado de S. Paulo e a Avaaz, organização internacional de campanhas e mobilização social, revelaram que um conjunto de endereços nas mídias sociais controlados pelo grupo formavam uma rede de apoio e difusão de ideias do então candidato à presidência da República Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, o alcance das páginas nas redes sociais, nas interações no Brasil, superava a soma das métricas de páginas oficiais de famosos como Madonna, Neymar e Anitta.

Procurada, a assessoria de imprensa do candidato ressaltou que o serviço contratado era apenas para a divulgação da atividade parlamentar, e não para a produção ou disseminação de atos antidemocráticos.

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piaui.folha.uol.com.br

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